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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Relatório aponta números da violência contra indígenas

É alarmante a violência no Brasil, até quando vamos ter que conviver com este descaso ? temos que começar a mudar, a tomar uma atitude séria. posto aqui o link  da CNBB com os dados da violência contra os índios no nosso país. A disciplina de ensino religioso nas escola visa da contribuição para a tolerância e o respeito pelo outro, fazer com que as pessoas sintam que são humanas e que tem que conviver com o diferente, amar o semelhante respeitar a diversidade cultural e etc.




A pesquisa

A pesquisa tem como fonte a imprensa escrita e virtual, rádios e veículos alternativos das mais diferentes cidades, bem como os registros sistemáticos efetuados pelas equipes do Cimi espalhadas pelos 11 regionais da entidade. São utilizados também relatórios policiais e do Ministério Público Federal. De acordo com coordenadora da pesquisa, os registros reproduzidos não esgotam todas as ocorrências acontecidas, mas indicam a tendência e as características dos ataques e ameaças que pesam sobre essa população.

http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/6939-relatorio-aponta-numeros-da-violencia-contra-indigenas

domingo, 26 de junho de 2011

A espiritualidade ecumênica no Brasil

 

 

 

 

 

1 - Espiritualidade do encontro e da escuta da diferença

Nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos/2011, nós cristãos somos convidados a vivermos “unidos nos ensinamentos dos Apóstolos...” (At 2,42). Isso impele à reflexão sobre os elementos desse ensino que sustenta a comunhão dos discípulos e discípulas de Cristo. Esses elementos encontram-se de formas diferentes nas diversas tradições eclesiais. Eles nos conduzem à busca comunhão pela vivência de uma espiritualidade ecumênica.
A espiritualidade ecumênica caracteriza-se pelo intento de comunhão das diferentes modalidades de experiência da fé cristã, que acontecem no interior das diferentes igrejas. E configura-se pelo encontro, a escuta e a valorização recíproca das experiências de oração e de vida no interior de cada tradição eclesial, buscando individualizar as efetivas possibilidades da unidade cristã através da mística do diálogo.
A sua explicitação é privilegiada na oração que emerge dos encontros de natureza ecumênica promovidos seja pelas igrejas, seja organismos ecumênicos ou pelos cristãos, os quais em suas comunidades formam grupos ecumênicos espontâneos, alimentando o espírito de convivência e diálogo. Mas é, sobretudo, no interior do coração e da consciência de cada fiel que se forma a espiritualidade ecumênica. Ali o Espírito atua e suscita o diálogo com Deus e com os outros. Assim, a espiritualidade ecumênica não é exclusiva das organizações eclesiásticas e/ou ecumênicas, ainda se está legitimamente ancorada nessas instâncias. Ela tem seu lugar na disponibilidade do cristão em deixar-se guiar pelo Espírito que forma o seu modo de ser, de compreender e de conviver com o outro, construindo uma atitude de vida pautada pela capacidade de convivência, de diálogo e de comunhão.

2 - Uma base comum

Constatam-se três principais elementos que formam a base da espiritualidade ecumênica no Brasil: 1) a fé em Jesus Cristo ao qual todos os cristãos se referem como razão e centro da própria existência. Isso possibilita aos cristãos e suas igrejas abertura para o mútuo reconhecimento de suas tradições, compreendendo que as diferenças na forma de expressar a fé cristã nem sempre significam divergências quanto ao seu conteúdo. Assim, as diferentes concepções da fé cristã e a diversidade de formulações e expressões da espiritualidade, não impossibilitam a busca de caminhos que favoreçam a oração comum entre cristãos de diferentes igrejas.
2) A solidariedade no contexto em que se vive. No Brasil, e na América Latina como um todo, a espiritualidade tem um profundo enraizamento no contexto social das comunidades. Esse contexto é marcado por situações de empobrecimento, miserabilidade, exclusão. Essa situação é comum a cristãos de diferentes igrejas, fato esse que faz do contexto social um chão ecumênico. Consequentemente, a espiritualidade ecumênica que alimenta as práticas de convivência e diálogo dos cristãos nesse contexto, assume ares de profecia. A oração que sobe aos céus é proferida junto com o grito de dor e de sofrimento causados pela injustiça social.
3) O crescimento do movimento ecumênico no Brasil no período pós-conciliar, constatado por três principais fatores: a) o incremento dos organismos ecumênicos tanto a nível nacional quanto a nível local e regional. Destacam-se aqui a Coordenadoria Ecumênica de Serviços – CESE (1973), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC (1982), e os inúmeros grupos ecumênicos que surgem nas diferentes comunidades, paróquias e dioceses. No interior da Igreja Católica Romana, destacam-se a Dimensão V da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e as Comissões Regionais e Diocesanas para o Ecumenismo; b) o fortalecimento das iniciativas em âmbito nacional, como as Semanas de Oração pela Unidade dos Cristãos e a Campanha da Fraternidade Ecumênica no ano 2000 (haverá outra Campanha da Fraternidade Ecumênica em 2005); c) a emergência de ambientes que vão aos poucos se tornando referência na experiência de uma espiritualidade ecumênica: Casa da Reconciliação, em São Paulo; Mosteiro da Anunciação, em Goiás; os Focolarinos, em várias regiões do Brasil; a comunidade de Taizé, na Bahía.
Esses três elementos são fundamentais para se entender o crescimento das iniciativas que promovem a oração comum entre cristãos de diferentes igrejas. Uma oração realizada em diferentes lugares e situações, mas que acontece motivada pelo mesmo Espírito que promove a unidade. A oração que emerge das práticas ecumênicas vai formando nos cristãos um modo de ser, atitudes e comportamentos ecumênicos que estão na base da espiritualidade ecumênica no Brasil.

3 - A natureza da espiritualidade ecumênica

As iniciativas ecumênicas que se concentram na espiritualidade não se propõe tratar das questões técnicas do ecumenismo, nem fazer análises ou discussões ecumênicas. Visam, sobretudo, partilhar uma comum experiência da fé, buscando alargar as possibilidades de comunhão que tenham na oração a sua fonte e o seu alimento. São iniciativas ainda pouco exploradas, mas certamente as mais profundas e mais promissoras das experiências ecumênicas realizadas, por possibilitarem mais do que outras uma real comunhão de sentimentos, de projetos, de vida. Elas criam um «lugar interior» comum, onde cada fiel encontra-se com o outro e com Deus, de modo que as experiências ecumênicas que configuram a espiritualidade dos que delas participam são os principais estímulos à busca da unidade.
Isso faz com que seja a espiritualidade ecumênica o elemento que permite compreender que as divisões atingem mais os aspectos acidentais e estruturais na Igreja, no que se refere à sua manifestação visível, estruturas de organização e estruturas doutrinárias. Mas em sua essência a Igreja continua una. Por isso o movimento ecumênico é um processo espiritual que possibilita ver que a Igreja em sua realidade mais profunda mantém a unidade e unicidade que Cristo lhe deu. O ecumenismo é um processo espiritual no sentido de estar aberto à inspiração do Espírito Santo que reconcilia e reúne todos os cristãos no Corpo de Cristo. Nesse processo, a espiritualidade é um elemento essencial, mais do que um horizonte ou dimensão.
Enfim, dentre as características principais da espiritualidade ecumenica temos: trinitária – a fonte da espiritualidade é a Trindade, cujo amor do Pai permite ao Filho que nos dê o seu Espírito da unidade. É Cristo quem atua, pelo seu Espírito, no seio da Igreja para levá-la à comunhão com o Pai; ato de fé – a espiritualidade é uma atitude de confiança no projeto unificador que Deus tem para a Igreja e para a humanidade como um todo. O fiel crê que Deus possibilitará a unidade; ato de conversão – não há unidade sem conversão interior, arrependimento comum e mudança do comportamento que dificultam a comunhão. A espiritualidade ecumênica exige a kênonis, a capacidade de esvaziar-se da discórdia, dos rancores e demais motivos de divisão; ato de sacrifício – o desejo de unidade é um projeto, um dom mas também uma tarefa, que exige dedicação, compromisso, sacrifício; ato de profecia – a espiritualidade ecumênica possibilita discernir entre os sinais que conduzem à comunhão e aqueles que a obstaculizam. Ela apresenta o agir ecumênico como um agir profético, proclamando com convicção que a comunhão é o plano de Deus para a sua Igreja.

4 - Interrogações

Muitas interrogações aparecem quando se trata de refletir sobre a espiritualidade ecumênica. Primeiramente, as experiências ecumênicas e as práticas de oração existentes parecem insuficientes para expressar uma verdadeira espiritualidade ecumênica. À oração realizada em conjunto parece faltar uma espiritualidade vivida, e as demais práticas ecumênicas também tendem a permanecer num nível superficial e formal. Há que se agregar valores vitais, um modo de ser ecumênico para se construir uma espiritualidade ecumênica. Segundo, nos últimos tempos, as igrejas parecem estar se distanciando mutuamente, e a fragilidade das relações entre elas incide diretamente na espiritualidade ecumênica. Terceiro, em muitos meios, sobretudo eclesiásticos, não há encorajamento na busca de uma espiritualidade ecumênica. Poucos são os líderes eclesiáticos que se integram nas iniciativas de diálogo e cooperação entre as igrejas.
Essas iterrogações serão respondidas na medida em que as iniciativas que indicam a identidade de uma espiritualidade ecumênica for acompanhada de uma reflexão capaz de individuar equívocos e obstáculos, junto aos resultados consoladores que surgem pela ação do Espírito que atua no interior de cada cristão e de cada Igreja. A todos Ele permite que a voz do Evangelho seja ouvida «na própria língua» (At 2,6). Por isso mesmo, as dificuldades encontradas são em si mesmas um forte convite à oração. Há que se valorizar as iniciativas ecumênicas que acontecem seja motivadas pelas igrejas, seja motivadas pelos organismos ecumênicos ou pelas comunidades dos fiéis. Todos buscam, de algum modo e ao seu modo, experienciar a autenticidade, o significado, as características peculiares da espiritualidade ecumênica. Se Cristo é um, se a Igreja é uma – apesar das diferentes e, inclusive, divergentes concepções – se a oração vai pelo mesmo caminho, se nasce do coração do fiel e se aos poucos vai assumindo uma identidade de expressão, se é possível invocar juntos a Deus em determinadas situações, então comprovada está a possibilidade de uma espiritualidade ecumênica que dê ao mesmo tempo sustento e significado às iniciativas ecumênicas realizadas pelos cristãos comprometidos com a busca da unidade da Igreja.

5 - Conclusão

A regularidade da oração entre cristãos de diferentes igrejas esternaliza uma espiritualidade que vai se configurando sempre mais como ecumênica. Essa espiritualidade assume um significado fundamental não apenas para o movimento ecumênico, mas, e sobretudo, para as igrejas nele integradas. Sob o impulso dessa espiritualidade é que se desenvolve o ecumenismo, oferecendo aos cristãos e suas igrejas a possibilidade de diálogo e comunhão. Não pode haver diálogo verdadeiro onde não existe uma consciente experiência da fé e uma viva espiritualidade que toca essa própria fé. Unindo-se em oração, os cristãos realizam ao mesmo tempo um profundo ato de fé e uma significativa e transcendente comunhão entre suas igrejas. Todos, sem perderem a identidade da sua tradição, condividem um raro momento de fraternidade que supera as barreiras impostas pelos fatores de divisão. Desse modo, a espiritualidade, enquanto emanação da transcendência divina, permanece, junto com a oração, um recurso inesgotável de esperança ecumênica.
Pode-se concluir que tanto para a Igreja Católica Romana quanto para as demais igrejas que se propõe a percorrer os caminhos do ecumenismo no Brasil, é extremamente positiva e frutuosa a espiritualidade ecumênica que vem sendo configurada pelas práticas de diálogo e cooperação entre cristãos de diferentes tradições eclesiais. Ao menos em linha de princípio, existe em todos uma considerável abertura para a espiritualidade ecumênica. Particularmente nas igrejas membros do CONIC, há um notório esforço para que a espiritualidade cultivada não se afirme em oposição às outras igrejas, o que agravaria a situação de divisão entre os cristãos. Assim, no campo da espiritualidade o ecumenismo no Brasil encontra favoráveis condições de crescimento. E isso só pode ser considerado «fruto do Espírito Santo» (UR 4), pois somente Ele possibilita a oração como «a alma do movimento ecumênico» (UR 8).

Pe. Elias Wolff

Pesquisado no site abaixo

http://www.cnbb.org.br/site/comissoes-episcopais/ecumenismo/6786-a-espiritualidade-ecumenica-no-brasil
(Acessado em 26 de junho 2011 às 18:51 )

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Beato João Paulo II é recordado na Assembleia da ONU europeia

Quarta-feira, 22 de junho de 2011, 08h59

Leonardo Meira

http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=282287

Da Redação, com informações da Rádio Vaticano (em italiano - tradução de CN Notícias)

 


A grande contribuição do Beato Papa João Paulo II para a defesa e promoção dos direitos humanos foi recordada na sede do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (HCDH), em Genebra. O evento especial foi promovido pelas Missões Permanentes da Santa Sé e da Polônia junto à ONU e intitulado "Promoção dos direitos humanos e João Paulo II".

"Foi verdadeiramente um grande homem, constante promotor da paz e dos direitos humanos", afirmou o diretor-geral da ONU em Genebra, Kassym-Jomart Tokayev. Em uma mensagem transmitida para o evento, o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, mencionou a particular história de Karol Wojtyla, que conheceu o nazismo e o comunismo, e o seu Magistério.

"Ele impulsionou enormemente uma variedade de direitos, tanto que foi chamado 'o Papa dos direitos humanos'", recordou o Observador permanente da Santa Sé em Genebra, Arcebispo Silvano Maria Tomasi.

Desde o início, João Paulo II promoveu o ser humano e a prioridade dos valores, sublinhou o Cardeal em sua mensagem. Logo após, um breve documentário abordou as visitas realizadas às Nações Unidas de Nova Iorque e Genebra, suas palavras fortes sobre o valor do trabalho e a defesa da Declaração dos Direitos Humanos.

O Arcebispo de Lyon, Cardeal Philippe Barbarin, o embaixador da Polônia junto à Santa Sé, Hanna Sichoka, e o embaixador de Israel junto à Santa Sé, Mordechai Lewy, sublinharam a importância que o Papa deu ao direito à vida, à dignidade do ser humano e à defesa da liberdade religiosa.


O evento no Palácio das Nações Unidas de Genebra concluiu-se com um concerto e inauguração de uma mostra filatélica sobre diversos selos dedicados a Papa Wojtyla em todo o mundo, particularmente por ocasião das numerosas viagens realizadas entre 1978 e 2005.

sábado, 18 de junho de 2011

Audiência Pública discute Ensino Religioso no Rio

Sáb, 18 de Junho de 2011 10:51 por: cnbb/arquidiocese Rio http://www.cnbb.org.br/site/regionais/leste-1/6880-audiencia-publica-discute-ensino-religioso-no-rio

Integrantes de diversos credos religiosos, profissionais da educação,  parlamentares e membros da sociedade civil participaram, na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, na terça-feira, 14, de uma Audiência Pública para discutir o Projeto de Lei do Executivo que cria o cargo de professor de Ensino Religioso nas escolas públicas do município. A reunião foi dirigida pelo presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, vereador Paulo Messina. Entre os representantes da arquidiocese do Rio estavam o bispo auxiliar, dom Nelson Francelino Ferreira; o diretor do Departamento Arquidiocesano de Ensino Religioso e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), padre Paulo Alves Romão, e a presidente do Conselho Deliberativo da Associação de Professores de Ensino Católico (ASPERC), professora Vera Lúcia Santiago Cruz. A defesa da Mensagem nº130 do prefeito Eduardo Paes (P/L 862 de 01/04/2011) foi protagonizada pela subsecretária de ensino da Secretaria Municipal de Educação, Regina Helena Diniz Bomeny, enfocando como será a implantação do Ensino Religioso nas escolas municipais, sendo facultada aos integrantes da Mesa a avaliação acerca da iniciativa. As opiniões foram acatadas democraticamente considerando positiva a iniciativa do Executivo, desde que a implementação fosse acompanhada pela Casa Legislativa.

O sindicato de representação dos professores do Rio se posicionou contrário ao Ensino Religioso nas escolas, assim como a professora Azoilda Loretto Trindade, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Ela criticou o crucifixo na Sala do Plenário, em detrimento dos demais símbolos religiosos. O presidente da Sociedade Brasileira para o Desenvolvimento Islâmico, sheik Ahmad Mohammed, defendeu o símbolo e disse que o Estado é laico, mas não é ateu.

O acadêmico Luiz Antônio Cunha (UFRJ) disse que muito tempo se perdeu discutindo a disciplina, o que não seria passível de discussão, por existir nas Constituições Federais e Estaduais, mas que a Casa Legislativa do Rio deveria aguardar os novos direcionamentos que estão sendo discutidos em Brasília. Outras posições favoráveis defendidas pelo Plenário foram a do vereador Caiado, em co-partilha com as emendas do vereador Reimont, do vereador Tio Carlos que respondeu a todos que a Casa Legislativa acabara de aprovar sete mil novas vagas para as outras disciplinas. Embora as manifestações tenham sido divergentes, houve consenso no aspecto da pluralidade.

“A ASPERC pôde presenciar a relevância da Lei 3459 de 14 de setembro de 2000. Essa Lei está possibilitando segmentos religiosos minoritários a serem ouvidos por todos em igualdade com as grandes religiões, em espaço nobre da Casa Legislativa para conhecimento de toda a sociedade”, afirmou a professora Vera Lucia.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

VOCÊ ACREDITA EM DEUS?




VOCÊ ACREDITA EM DEUS?
Carlos André Cavalcanti[1]

Esta foi a pergunta que o radialista me fez num programa ao vivo em plena Semana Santa. Eu sou parte da maioria de 84% de brasileiros que acreditam Nele, segundo pesquisa da Ipsos divulgada pela Agência Reuters com grande repercussão no Brasil. Somos o terceiro país mais crente do mundo, atrás apenas dos muçulmanos Indonésia (93%) e Turquia (91%). Consequentemente, somos a nação cristã melhor colocada na amostra que entrevistou 18.829 adultos. Além disso, somos terceiro colocados também na crença na vida após a morte (32%), atrás de México e Rússia.
Falar sobre religião no Brasil é ter um assunto bom. O país apresenta um dos mapas religiosos mais ricos e específicos do mundo. Tivemos uma origem colonial que nos legou um povo fortemente religioso. A ação secularizadora dos “homens cultos” – que eram cristãos teologizados pelas reformas protestante e católica – devastou muitas tradições religiosas na Europa entre os séculos XVI e XIX, mas chegou por aqui com força bem menor. Na colônia brasilis o clero era escasso e, em média, menos preparado que o europeu. Além disso, ficava “preso” ao conforto do litoral.
O Brasil colonial nunca foi efetivamente evangelizado pelo clero, mas o povo trazia consigo uma religiosidade popular de origem medieval que dissimula até hoje as tentativas de enquadramento romanizador feitas pela Igreja Católica, que detém a imensa maioria dos fiéis. Se somamos aí a presença da tradição afro-brasileira, a força do espiritismo kardecista e a chegada das diversas denominações evangélicas ao país, principalmente após o advento da República, temos os fatores que incrementaram outras formas de religiosidades, aprofundando a crença em Deus.
A pesquisa reflete esta história. É bom ressaltar que acreditar em Deus não é sinônimo de atraso ou ignorância, como ainda pensam muitos. Os dados históricos que confrontam desenvolvimento e fé mostram, pelo contrário, que as nações mais desenvolvidas do mundo ocidental – e do mundo todo, portanto – são marcadas pela Ética Protestante, como demonstrou Max Weber no livro mais influente das ciências humanas no século passado: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. A idéias de que a religião seria rima para atraso veio de outro grande pensador das humanidades, Karl Marx, mas não se verifica fora da realidade em que foi escrita. Ou seja, para criticar a posição de parte significativa do clero em favor das “classes dominantes” na época (século XIX).
Assim, a notícia da forte crença em Deus entre os brasileiros é muito positiva. Tem, inclusive, provável repercussão no equilíbrio social e na Saúde Mental do nosso povo, pois a relação entre espiritualidade e saúde já é aceita cientificamente. É um diferencial positivo para o país nesta globalização, pois equilibra as pessoas e enriquece o nosso produto interno cultural, que pode representar ganhos e até bons negócios. A forte onda histórica que marcou uma posição racionalista radical por vários séculos e secularizou tantas nações está se esvaindo em todo o Ocidente. O reencantamento da fé marca o início do século XXI. Neste processo, já partimos com vantagem.

(TEXTO ENVIADO PELO PROFº.DRº.CARLOS ANDRÉ CAVALCANTI , COLABORANDO PARA O BLOG)



[1] Professor da UFPB nas áreas de História e Ciências das Religiões. Doutor em História.

Notícia: Lançamento do livro 10 Lições sobre Hegel


 O Profº.: Drº. Deyve Redyson lançou esta semana seu livro: 10 Lições sobre Hegel . Abaixo voce pode assistir no video o momento da fala dele durante o lançamento.



  • 10 Lições sobre Hegel

    O filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) é o autor de um sistema filosófico que contempla a lógica, a natureza e o espírito, escreveu uma das obras mais comentadas até hoje e de grande importância para a compreensão da filosofia, que foi a Fenomenologia do Espírito.

    A preocupação destas 10 Lições sobre Hegel é fazer uma apresentação geral da obra e do pensamento do filósofo alemão que, desde sua juventude, analisava a filosofia kantiana para reatar a metafísica.

  • Editora: Vozes
  • Autor: DEYVE REDYSON
  • ISBN: 9788532640802
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2011
  • Edição: 1
  • Número de páginas: 88
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Médio

Vaticano vai debater uso de células-tronco adultas com estudiosos

Quinta-feira, 16 de junho de 2011, 11h01  
Nicole Melhado

Da Redação, com Boletim da Santa Sé (Tradução: equipe CN Notícias)

 http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=282187

 


O Vaticano realizará entre os dias 9 e 11 de novembro uma Convenção Internacional intitulada “Células-Tronco: a ciência e o futuro do homem e da cultura” (tradução livre). O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira, 16, por membros do Departamento Ciência e Fé do Pontifício Conselho da Cultura durante uma coletiva de imprensa na Sala João Paulo II.

“Seguramente, muitos se perguntam: por que o Pontifício Conselho da Cultura está envolvido na questão das células-tronco adultas? A resposta cai sobre a missão do nosso dicastério, chamado a dialogar com toda a expressão da cultura contemporânea, fortemente imbuída e moldada pela ciência”, explicou o Diretor do Departamento Ciência e Fé, padre Tomasz Trafny.

Segundo os membros do dicastério, presentes na coletiva, já há algum tempo este pontifício conselho está empenhado na promoção de um sério diálogo entre as ciências naturais e humanas, especialmente filosofia e teologia. A escolha de indagar sobre o uso das células-tronco adultas é, assim, uma natural consequência de um percurso iniciado alguns anos atrás.

“O interesse, portanto, que temos nesta questão em particular é bastante limitado. Destina-se a explorar o impacto cultural da pesquisa sobre células-tronco adultas e a medicina regenerativa, a médio e longo prazo. Tudo tem sua origem em uma dupla convicção”, esclareceram.

Para o Vaticano, promover diálogos como esse é essencial, visto que a medicina hoje interage com todas as dimensões da cultura: social, legislativa, filosófica-teológica e econômica.


Trabalho em conjunto

Neste sentido, a companhia internacional biofarmacêutica NeoStem está trabalhando em conjunto com o Vaticano para partilhar “valores éticos que veem em sua essência a proteção da vida humana em todas as fases do seu desenvolvimento”, destaca a cientista americana Robin L. Smith, presidente e diretora executiva da NeoStem.

A companhia, ressalta a cientista, tem interesse em indagar os impactos culturais que possam haver com as descobertas científicas resultantes da investigação em células-estaminais adultas.

“Hoje não é de se espantar que uma indústria biofarmacêutica tenha forte interesse sobre a tutela da vida em sua totalidade, havendo ao mesmo tempo interesse em indagar a cultura. Por este motivo, pensamos em formalizar uma colaboração. Já há mais de um ano estamos traçando possibilidades para desenvolver isso”, conta a presidente da NeoStem.

O primeiro fruto prático desta colaboração será a convenção em novembro, para a qual o Vaticano quer convidar todos os bispos, embaixadores credenciados junto a Santa Sé, ministros de saúde dos diversos países, líderes de opinião e meios de comunicação.

“Esperamos que estejam presentes pessoas que partilhem da mesma sensibilidade para a realidade dos valores éticos e o desejo de promover o diálogo entre ciência e religião”, destaca o diretor do Departamento Ciência e Fé.


Construção de diálogos
Também está nos planos do Vaticano desenvolver projetos com a ajuda de estudantes das universidades pontifícias e instituições católicas de ensino sobre temas ligados ao diálogo entre as ciências naturais e humanas.

“Desejamos também alcançar um amplo público, especialmente os fiéis e operadores de pastorais nos vários níveis que algumas vezes encontram dificuldades para entender alguns problemas complexos relacionados com a ciência, filosofia e teologia.  Bem como, aqueles que não tem conhecimento científico, mas desejam ter não só uma correta informação sobre esses temas, como também a disponibilidade de ter uma formação clara”, salienta o sacerdote.

No fim da coletiva, foi recordada uma famosa carta de João Paulo II escrita ao padre George Coyne que diz: “Com o crescimento do diálogo e da comunhão existirá um progresso em direção a mútua compreensão e uma gradual descoberta de interesses comuns que formam as bases para novas buscas e discussões”.

“Nós acreditamos no diálogo e estamos abertos a explorar os possíveis percursos de colaboração com várias instituições e cientistas que queiram contribuir para a aproximação recíproca entre ciência e religião para uma cultura do futuro baseada em grandes valores”, concluiu o diretor do Departamento Ciência e Fé.